GRAFITEIROS SIGAM-ME!..
domingo, 13 de janeiro de 2013
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Grafiteiros vê enchentes por outro angulo
Grafiteiro vê enchentes por outro ângulo
"As galerias pluviais estão cheias de lixo", denuncia Zezão, que ganhou notoriedade internacional por pintar em esgotos urbanos
Renan Silva, iG São Paulo
> Leia mais: tiozinho tatuado leva nova onda de HQs a Hollywood
> Chefs ensinam a fazer pratos fáceis e gostosos em acampamentos
> Siga o iG Jovem no Twitter
Clima abafado e nuvens escuras no céu: nessa época do ano, muitas metrópoles brasileiras sofrem com as enchentes provocadas pelas chuvas de verão. Mas, apesar do caos com os alagamentos, nem todas as causas e consequências dos temporais são visíveis para os cidadãos – algumas estão abaixo do asfalto. Quem conhece bem o lado subterrâneo desse problema é Zezão, grafiteiro que se destacou por pintar no esgoto urbano.
Desde que passou a transformar galerias de escoamento em suas galerias de arte, em 1998, Zezão se depara com tudo o que se possa imaginar nos túneis subterrâneos: pneus, sofás, animais mortos e até telefones públicos. Toneladas de lixo, que agravam as enchentes nas grandes cidades – em 2010, as chuvas mataram 473 pessoas e afetaram 7,8 milhões no País. “Acho que é mais fácil falar o que eu não encontrei”, brinca o grafiteiro.
“O papel jogado nas ruas vai para o bueiro e de lá, para um córrego, que desemboca num rio. O governo limpa o rio, mas as veias do sistema de saneamento, que são os córregos, continuam lotadas de resíduo”, explica Zezão. “Choveu, transborda. É como jogar a sujeira para debaixo do tapete”.
Ex-pixador e fã do pintor Jean-Michel Basquiat, Zezão grafita desde 1995. Em 2003, começou a ganhar notoriedade por conta das empreitadas em esgotos urbanos. Logo veio a primeira exposição, na Choque Cultural – galeria tradicional de street art em São Paulo. Depois, pintou paredes em lugares como Itália, Suíça, França, Alemanha e Estados Unidos. Em 2009, participou da exposição “De dentro para fora / De fora para dentro”, no Museu de Arte de São Paulo, o MASP.
Se a sujeira jogada por aí acaba entupindo o “museu” subterrâneo do grafiteiro, a população também é responsável pelo problema, certo? Sim. “Existem projetos que educam a galera sobre as formas de reciclar e eliminar o lixo. Mas muitos [cidadãos] não exercem a consciência ambiental, e outros não têm noção do que é nocivo”, acredita.
Mesmo com a falta de cuidados do governo e de consciência de alguns cidadãos, Zezão acredita que as coisas podem melhorar nos subterrâneos – pelo menos se algumas providências forem tomadas na superfície. “Imagino que seja [uma solução] mais fácil os garis desentupirem as bocas de lobo e varrerem as calçadas do que o poder público mandar alguém limpar as galerias pluviais, que estão fod***, cheias de lixo”, opina.
O que diz o governo?
Em São Paulo, novas ações para o controle de enchentes foram anunciadas na última terça-feira. Além disso, o governo deve dar atenção especial às regiões abarrotadas de lixo. “A previsão é que seja removido 4,1 milhão de metros cúbicos de resíduos de áreas críticas, como os rios Tietê e Pinheiros”, afirma o secretário de saneamento e recursos hídricos do estado, Edson Giriboni.
O governo federal também anunciou a liberação de R$ 700 milhões para estados afetados pelas chuvas – só ontem, mais de 300 morreram devido a enchentes no Rio de Janeiro. As cidades cariocas que mais sofrem com o problema são Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, todas na Região Serrana.
Conhece outros grafiteiros com histórias legais? Conte para a gente no Twitter.
(Crédito: a primeira e a última fotos incorporadas ao texto são do arquivo pessoal do Zezão. As outras são de Alexandre Carvalho/FotoArena)
Para os gemeos falta o básico nas metrópolis ``grafite é superficial``
18/10 - 21:23hs
Para OsGemeos, falta o básico nas metrópoles: "grafite é superficial"
Dupla de grafiteiros fala ao iG Jovem sobre problemas sociais, início de carreira e o universo paralelo que criaram em muros e telas
Renan Silva, iG São Paulo
> Leia mais: Street Biennale transforma prédios em obras de arte
> Na Europa, grafiteiros lutam contra leis "tolerância zero"
> Siga o iG Jovem no Twitter
Nas paisagens de Tritrez, o universo paralelo criado pelos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo (conhecidos como a dupla de grafiteiros OsGemeos), a crítica ao poder sempre esteve presente. Mesmo que de forma indireta, irônica. E, em época de eleições, essa crítica fica mais aguçada do que nunca – como dá para ver na galeria de fotos ao lado. “O mínimo que a população deveria ter [nas cidades] é segurança, educação, saneamento”, afirmam. “Grafite é superficial nesse cenário”.
O iG Jovem bateu um papo exclusivo com a dupla, que hoje transcendeu o grafite e é um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira. Eles falaram sobre pedir latas de tinta no começo da carreira, sobre a exposição íntima que é fazer arte em muros e sobre uma recente batida de cabeça entre arte e eleições. Confira.
iG Jovem: Vocês viram que a organização da Bienal de São Paulo teve de cobrir uma obra do argentino Roberto Jacoby que retrata Dilma e Serra? (O TSE considerou que ela fazia política em espaço público, o que é proibido. A obra ficará coberta até o final da mostra, em 12 de dezembro)
OsGêmeos: É que aqui (o Brasil) é muito careta. Imagina, numa Bienal de Arte, você ter que tirar a arte de lá?! Tirar o ca*****.
iG Jovem: Se pudessem escolher um monumento ou lugar para grafitar, qual seria?
OsGemeos: A toda hora e em todo lugar a gente enxerga um mundo diferente. Achamos que a cidade inteira deveria respirar arte. Tudo deveria ser diferente. Mas há muitas outras coisas importantes para mudar nas metrópoles, além da necessidade de fazer um grafite num lugar marcante. Você sabe como são as cidades grandes. O mínimo que a população deveria ter é segurança, educação, saneamento. O básico. Grafite é superficial nesse cenário. Estamos decorando a cidade. É pouco. O legal é não ficar quieto, não estar conformado.
iG Jovem: Comparado com a época em que vocês estavam começando, dá para dizer que hoje é mais fácil conquistar notoriedade na street art?
OsGemeos: Hoje é super rápido e global. A internet facilita. A gente demorou 10, 15 anos para começar a vingar. Claro, tem um lado bom nisso, mas vemos que é preciso tomar um pouco de cuidado com essa facilidade. E não é uma questão de banalizar a arte. É de você não se enganar. Não se iludir. Porque a arte é séria em todos os gêneros. Você está se comunicando, se expondo. É você ali. Sua alma. E as pessoas estão vendo o que você está fazendo. Observando a sua essência materializada. E isso tem certo poder. O poder de influenciar outras pessoas. Fazer alguém se divertir, se emocionar.
iG Jovem: Mas a exposição através da internet está criando essa certa ilusão?
OsGemeos: Não, não achamos que seja assim. É pessoal mesmo. Você com você mesmo. É muito fácil você criar um personagem e fazer dele algo famoso. Vai do que você quer. Mas, se o objetivo é se encontrar através da arte, nós vemos que requer muito tempo de estudo e dedicação. No nosso caso, nós não fomos atrás da satisfação do ego, e sim da satisfação através do desenho.
iG Jovem: Depois de todo o reconhecimento internacional, dá para dizer que vocês são os expoentes da arte contemporânea no Brasil? Vocês se enxergam assim?
OsGemeos: Longe disso. A gente encontrou na arte um jeito de poder se sentir bem, realizar o que sempre imaginou. Desde criança a gente pensa o que a gente pinta. As coisas aconteceram naturalmente. Não visualizávamos ser grafiteiros para poder fazer uma exposição e viajar.
iG Jovem: Como era no começo?
OsGemeos: A gente colecionava a arte. Íamos às bibliotecas, achávamos um livro, uma figura, um grafite, aí a gente arrancava a página e levava para casa para admirar. Era tudo meio difícil. Aconteciam uns encontros de hip hop na Praça São Bento (em São Paulo) e nós frenquentávamos para dançar break, cantar rap. Na época quem grafitava era a geração ‘Tupinãodá’, com o Rui Amaral, o Zé Carratu e outros. Só que buscávamos outro estilo de grafite. Aos fins de semana, saíamos pela cidade fazendo murais junto com o Speto, Vitché, Binho e Tinho. E ao contrário da maioria, que pintava de noite porque tinha uma discriminação, a gente se aventurou e foi pintar de dia. Aí a polícia parava e perguntava: ‘Tem permissão?’ E a gente: ‘Claro’. Pô! Tínhamos nada. E foi legal porque criou uma autenticidade.
iG Jovem: Mas e as tintas? De onde vinham?
OsGemeos: Saíamos pedindo. Pedíamos para os funileiros. Também sempre moramos num bairro que possui muitas gráficas e os caras davam o que podiam para a gente. Resto de tinta, lata de spray. Aí passávamos no supermercado para pegar bico de desodorante e colocar no spray para poder ter um traço diferente. Era tudo na improvisação. Não é que nem hoje. Você vai numa loja de pintura e encontra uma variedade de produtos para poder fazer o seu grafite.
iG Jovem: Nesse contexto, qual a dica que vocês dão para quem está começando na arte?
OsGemeos: Poxa, é muito pessoal. Vai de cada um. Acreditamos que a arte é um instrumento que pode ser uma fuga, um alimento espiritual, uma necessidade. E não importa se é grafite, música, circo, dança, teatro. Ou se é contemporâneo, ou afro. O lance é você ter um motivo de estar fazendo isso. Não é uma coisa ‘Pô, se ele deu certo, eu também quero dar’. No nosso caso, precisamos da arte para poder falar com as pessoas. Ter dado certo foi uma consequência. Se tivermos que falar algo é para as pessoas correrem atrás dos seus sonhos.
iG Jovem: Como é o desafio de sair dos muros para as obras e as telas?
OsGemeos: É simples. Não focamos nosso trabalho só no grafite. Viemos daí, mas nunca fomos só grafite. Sempre tivemos um leque e canalizamos. Sempre criamos, desde criança, em caixas de papelão, caixas de madeira da feira, com papel machê. Sempre quisemos experimentar outras formas de expressão. Vídeo e animação também. O tridimensional completa o que a gente quer transmitir no nosso trabalho. Facilita um pouco mais para quem aprecia e quer entender esse hiato que passa na nossa cabeça. Nossa percepção de tudo.
iG Jovem: Depois de Tritrez [o universo paralelo criado pelos irmãos], ainda há espaço para outro mundo da cabeça OsGemeos?
OsGemeos: Não, é esse. É uma coisa mais espiritual nossa. Existe, claro, outros universos que a gente quer conhecer, quer explorar. Mas esse é a nossa base, nossa essência, de onde vêm as nossas criações. Esse é o nosso universo paralelo.
> Veja mais fotos de grafites da dupla no blog deles